
INSS (19 a 12) reacendeu um debate que vai muito além da política: até onde a internet pode ir antes de transformar suspeita em sentença?
Nos últimos dias, muita gente resolveu apontar o dedo: e, no meio disso, nomes como Abraão Lincoln acabaram jogados no centro de um verdadeiro linchamento virtual.
O detalhe que pouca gente faz questão de lembrar: não houve busca e apreensão na casa dele, não houve prisão pela Polícia Federal.
O único episódio citado é uma prisão por “falso testemunho” e que, segundo os fatos, não envolve mentira comprovada, mas sim problemas auditivos e uma retratação imediata. Ou seja: bem diferente da narrativa inflamada que circulou por aí.
E aí vem a pergunta incômoda: desde quando CPI virou tribunal? Porque, na prática, é isso que parte da internet esta fazendo, julgando, condenando e executando reputações antes de qualquer decisão judicial.
Mas o problema não para na internet. Dentro da própria
CPI, o que deveria ser investigação séria tem, em muitos momentos, cara de espetáculo político. Deputados e senadores parecem mais preocupados com cortes para redes sociais, engajamento e discursos de efeito do que com a apuração técnica dos fatos.
A CPI, que deveria esclarecer, acaba alimentando narrativas e, no meio disso, reputações vão sendo destruídas em tempo real.
De um lado, há quem defenda a exposição como transparência. Do outro, cresce a crítica: a política está transformando investigação em palco, e a internet, em tribunal.
No fim, fica o alerta: não é a Justiça que está lenta. É a política e a internet que estão rápidas demais para julgar.
Foto: Marcos Santos/USP Images


Foto: Divulgação
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