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Os dados mais recentes da Secretaria de Estado da Saúde Pública (Sesap) divulgados pela Associação Médica do Rio Grande do Norte (AMRN) sobre internações e óbitos por infarto no RN, entre os anos de 2014 e 2024, acendem um alerta importante para a saúde feminina, especialmente a partir da meia-idade. Ao todo, foram registradas 9.506 internações e 4.099 óbitos no período analisado, com uma taxa de letalidade de 43,1%.
A análise por faixa etária revela um padrão claro: o número de óbitos cresce de forma expressiva a partir dos 50 anos, com destaque para mulheres entre 60 e 69 anos, seguido pelo grupo com 70 anos ou mais. Essas mesmas faixas etárias também concentram os maiores índices de letalidade, indicando maior gravidade dos casos.
Em 2014, o número de internações foi de 603 casos. Dez anos depois, em 2024, o total chegou a 1.383 registros, o maior da série histórica analisada. Isso representa um crescimento de aproximadamente 129% em uma década, ou seja, mais que o dobro de casos em comparação com o início do período. Em 2025, os índices continuaram em crescimento, com 1.701 casos de hospitalização por infartos femininos.
Dr. Itamar Ribeiro de Oliveira | Foto: divulgação
Para o médico cardiologista intervencionista, Dr. Itamar Ribeiro de Oliveira, os números destacam a necessidade de investimento em prevenção, diagnóstico precoce e acesso ao tratamento adequado, medidas fundamentais para reduzir o impacto das doenças cardiovasculares na população.
“O estudo reforça um alerta importante: as doenças cardiovasculares continuam entre as principais causas de internação e morte em mulheres no país, com um risco ainda maior para aquelas de meia idade”.
O levantamento estatístico dialoga diretamente com um marco importante na saúde da mulher: a menopausa, que costuma ocorrer entre os 45 e 55 anos. A redução dos níveis de estrogênio nesse período diminui a proteção natural do organismo contra doenças cardiovasculares, aumentando a vulnerabilidade ao infarto.
Antes dessa fase, mulheres tendem a apresentar menor incidência de problemas cardíacos. Após a menopausa, no entanto, o risco cresce significativamente, especialmente quando associado a fatores como hipertensão, diabetes, sedentarismo e obesidade.
De acordo com a médica ginecologista obstetra, Dra. Rosana Rebelo, um estudo publicado, em 2020, na revista Circulation, da American Heart Association, aponta que mulheres que realizam terapia hormonal com o uso do estrogênio apresentam uma redução de aproximadamente 19% no risco de eventos cardiovasculares, incluindo infarto e acidente vascular cerebral, o que reforça sua relevância no cuidado com a saúde da mulher durante a menopausa.