
Segundo o levantamento, o impacto não seria uniforme entre os setores. Atividades intensivas em mão de obra, como comércio e serviços de alimentação, tendem a sentir mais os efeitos da mudança. Em alguns segmentos, como transporte aquaviário e indústria de alimentos, a elevação de custos poderia chegar a cerca de 10,5%.
Outros setores, como construção, agropecuária e comércio, teriam aumentos estimados entre 7,8% e 8,6%, enquanto micro e pequenas empresas registrariam impacto médio de 5,9%. Já no setor de serviços em geral, o aumento seria menor, em torno de 1,6%.
O estudo também argumenta que parte do custo da jornada mais longa aparece de forma indireta, por meio de fatores como afastamentos por saúde, acidentes de trabalho, absenteísmo e rotatividade de funcionários. Esses elementos elevam gastos com reposição de mão de obra e treinamento, além de reduzir a produtividade.
A avaliação da equipe técnica é que uma jornada menor pode melhorar o desempenho médio dos trabalhadores e aproximar o Brasil de padrões adotados em diversos países.
O levantamento, feito com base em dados do eSocial e com uso de inteligência artificial, indica ainda que o mercado de trabalho brasileiro já funciona, em grande medida, com dois dias de descanso semanais. Cerca de dois terços dos trabalhadores já atuam em regime 5×2, enquanto a legislação atual ainda permite a escala 6×1.
Os dados também mostram que a escala 6×1 já está presente em cerca de 35% das empresas em geral.