
Um episódio ocorrido recentemente em um fórum da região reacendeu uma discussão importante sobre discriminação e racismo estrutural no ambiente jurídico. Um advogado, ao comparecer ao local para exercer suas funções, foi abordado na recepção e questionado se estaria ali para “assinar” — expressão popularmente associada ao cumprimento de medidas no âmbito penal.
O detalhe que chama atenção é que o profissional estava trajando roupas informais, como camisa polo e calça jeans. A situação expõe um problema recorrente: a associação entre aparência e capacidade, especialmente quando atravessada por estigmas sociais e raciais.
Para o advogado, o episódio vai além de um simples equívoco. “Antes mesmo de qualquer palavra, já tinham decidido quem eu era. Isso não é apenas sobre roupa, é sobre um padrão silencioso que ainda define quem ‘parece’ pertencer a determinados espaços”, relata.
Ele destaca que a advocacia não deve ser medida por vestimentas ou status, mas pela capacidade técnica, compromisso e atuação diante das demandas da sociedade. “A gente aprende, na prática, que ocupar certos espaços também é um ato de resistência. E é assim que sigo: trabalhando, enfrentando e fazendo justiça, independentemente de como esperam que um advogado se apresente.”
O advogado afirma ainda que aguarda um posicionamento do Tribunal de Justiça do Rio Grande do Norte e da Ordem dos Advogados do Brasil – Subseção Assú/RN sobre o ocorrido, ressaltando a importância de que situações como essa sejam apuradas e debatidas institucionalmente.
O caso reforça a necessidade de reflexão sobre práticas cotidianas que, muitas vezes de forma velada, reproduzem desigualdades e reforçam barreiras dentro do próprio sistema de justiça.