06 - mar/26

A prisão de Luiz Phillipi Mourão, de 43 anos, investigado por atuar como “sicário” ligado ao empresário Daniel Vorcaro, abriu uma disputa de versões sobre o estado de saúde do suspeito após uma tentativa de suicídio dentro da carceragem da Polícia Federal em Belo Horizonte (MG). Mourão foi preso durante a Operação Compliance Zero, que investiga crimes relacionados ao escândalo envolvendo o Banco Master.

Segundo a PF, a tentativa ocorreu na quarta-feira (4), quando o investigado, que aguardava audiência de custódia na sede da corporação, usou a própria camisa, de mangas longas, para se enforcar nas grades da cela. Policiais tentaram reanimá-lo e ele foi levado em estado grave para o Hospital João XXIII, referência em atendimento de trauma em Minas Gerais.

Foi a partir daí que começaram as versões divergentes sobre o quadro clínico do investigado.

Na noite da quarta, a PF informou que médicos teriam constatado morte cerebral — condição em que há perda total e irreversível das funções do cérebro. Minutos depois, porém, a Secretaria de Estado de Saúde divulgou nota afirmando que o paciente permanecia internado em estado gravíssimo no CTI.

Nesta quinta-feira (5), surgiu uma terceira versão. De acordo com o advogado Robson Lucas da Silva, que integra a defesa de Mourão, o investigado segue vivo e internado em estado grave, sem abertura do protocolo médico necessário para confirmação de morte encefálica.

Diante disso, a PF abriu um inquérito para apurar as circunstâncias da tentativa de suicídio dentro da custódia da corporação. Segundo a PF, a cela onde Mourão estava preso é monitorada por câmeras e não possui pontos cegos. As imagens, segundo a corporação, registram toda a sequência e indicam que nenhum objeto além da própria camisa foi usado.

A PF informou ainda que as gravações serão encaminhadas ao STF, onde o caso é relatado pelo ministro André Mendonça. Nas investigações, Mourão é apontado como líder operacional de um núcleo responsável por intimidar e constranger adversários ligados ao caso investigado. Nos autos, ele é descrito como um matador de aluguel, apelidado pelos próprios comparsas de “Sicário”.

Os investigadores afirmam que ele receberia cerca de R$ 1 milhão por mês por serviços considerados ilícitos, que incluiriam ameaças e pressões contra adversários.

O TJMG confirmou que Mourão já é réu em outro processo por participação em organização criminosa, crimes contra a economia popular e lavagem de dinheiro. Registros da Secretaria de Justiça e Segurança Pública de MG indicam que ele chegou a ficar preso por cinco dias em 2020.

 

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